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Sábado, Maio 15

Tradição
Olhando Marieta naqueles trajes, perfumada, deitada na cama, Agenor desatou a falar. Lembrou-a, com seu jeito articulado, paciente e demasiado explicativo, de que ela não era assim: ela era uma moça de família, de tradição, de propriedade, e não precisava fingir uma coisa que não era apenas porque ele havia estado na casa de tolerância no dia anterior. Envergonhada, Marieta se encolheu debaixo do cobertor, virou para o lado e tentou dormir. Agenor então vestiu seu tradicional pijama azul claro, calçou suas tradicionais meias de lã e deitou na cama ao lado dela.
Já um pouco arrependido, alisando as costas de Marieta, Agenor confidenciou:
- Desculpe Marieta. Mas, com você, só depois do casamento!
Marieta então chorou baixinho. Chorou e pensou na sua mazela. Chorou e pensou nas mazelas de todas as pessoas do mundo. Chorou e pensou nas crianças da Etiópia. Chorou e pensou em tantas coisas que esqueceu aquele motivo que a fez derramar a primeira lágrima.
Dormiu.
posted by Helena Cogumelo
19:26
Sexta-feira, Maio 14

Não contavam com minha astúcia!
Não adianta. Eu sempre acabo voltando para o meu blogspot véio de guerra. O Velma Dinkley acabou, o Tipos está sem servidor e eu voltei aqui, no Blogumelo Alucinógeno. Com alguns ajustes que o meu irmão fez, o Blogumelo está quase como era antigamente, quando o deixei em outubro de 2003.
Atualizem seus links.
Quando o Tipos voltar eu me mudo novamente.
posted by Helena Cogumelo
14:29
Domingo, Outubro 5

12 coisas que se podem inferir da reprodução dos cisnes
Lembro me de que, quando estava no Jardim de Infância, sempre pegava livros na biblioteca. Acho que, de tanto ler aqueles livros coloridos, cheios de figuras, bem legais, com historinhas supimpas, resolvi escrever um livrinho também. E esses dias encontrei o tal livreto que eu havia escrito quando tinha apenas cinco anos. Não sei porque cargas d'água ninguém ainda teve coragem de jogar isso no lixo.
Capa: O nome do livro é "A Reprodução dos Cisnes".
1. É possível ver, na capa, a palavra flamingo encoberta por uma grossa camada de corretivo. Possivelmente eu escrevi "A Reprodução dos Flamingos" e só depois descobri que não sabia desenhar flamingos. Uma decepção.
Primeira página:
Era uma vez um cisne. Ele era o último. O nme (assim mesmo, sem o O) dele era betinho. - Hoje está um belo dia! - exclamou Betinho. Abaixo das letras, em cada página há um lindo desenho - minha mãe que disse!
2. Já se vê que eu era uma fervorosa defensora da Ecologia. Eu ficava abismada com aqueles programas ecológicos da TV Cultura que diziam que só restavam 20 exemplares de algum bicho absurdo do interior da savana africana.
3. É, definitivamente eu não sabia desenhar nem cisnes, que dirá flamingos!
Segunda página:
Depois, ele foi procurar frutas para comer. - Hum que delícia!
4. Depois? Depois do quê? Depois de ser apresentado? Depois de virar a página? Aqui podemos perceber que eu não possuía senso algum de tempo decorrido.
O desenho dessa página é o que seria o Betinho, ao lado de uma árvore, com um fruto no bico. Na árvore há um ninho e um passarinho voando e botando um ovo ao mesmo tempo.
5. Eu pensava que com seu super pescoço, o cisne poderia colher frutos das árvores. Provavelmente eu confundi um cisne com uma girafa.
Terceira página:
Estou me sentindo só. Eu quero uma compania! Vou procurar!
6. O leitor, muito esperto, irá presumir que se trata de uma hitória trágica: como Betinho é o último cisne da face da terra, ele tomará consciência da impossibilidade de arranjar uma namorada e se conformará com a solidão.
7. Certamente eu pensava que para arranjar uma companhia bastava procurar por uma.
Quarta página:
- Vou caçar minhocas para o jantar.
Ele gosta de minhocas é o prato preferido dele.
8. Notem a capacidade que Betinho tem para sair de uma fossa: numa hora ele está se lamentando e, no minuto seguinte, já está pensando em outra coisa.
9. Que beleza! Betinho é um homem que sabe cozinhar!
Quinta e última página:
Um belo dia Betinho viu num belo rio una femêa cisne eles se conheceram e depois casaram tiveram filhos e viveram felizes para sempre. Fim.
10. Eu ainda não conhecia a vírgula.
11. Eu gostava de supreender o leitor, fazendo uma legítima femêa cisne brotar num belo rio num belo dia apenas para dar um final feliz à história.
12. Desde cedo eu já era partidária do faça você mesmo. Odiava aquelas histórias de princesas que ficavam esperando por seus príncepes.
Betinho tava na fossa, mas tava numa boa. Saiu procurando e encontrou algo que nunca existiu. E tudo meio sem querer.
posted by Helena Cogumelo
22:51
Quinta-feira, Setembro 18

Fim
O capítulo final das novelas é quando o personagem principal descobre aquilo que o telespectador já sabia desde o começo da novela: que o filho não era dele e que sua mulher é uma megera.
posted by Helena Cogumelo
16:36
Sexta-feira, Agosto 1

Banana
A banana, fruto da bananeira, é uma fruta tropical de cor verde, quando verde, e amarela, quando madura. Seu formato é alongado, parecido com o formato de um pepino, porém de calibre menor. A polpa da banana é de cor creme e tem uma textura macia porém um tanto quanto melequenta. Depois de cortada escurece com facilidade. As sementes são minúsculas e podem ser engolidas sem maiores problemas, juntamente com a polpa.
A banana é uma furta muito prática por não necessitar de talheres para o consumo - excetuando-se situações em que a banana é servida flambada em sobremesas de finos jantares. Mas, apesar de sua grande praticidade ao consumo, em se tratando do transporte, a banana oferece alguns transtornos - ela amadurece rapidamente quando retirada de seu cacho e amassa com facilidade por ter uma casca não tão resistente como a da mexerica, por exemplo. Além disso a banana é uma fruta muito aromática, transferindo seu odor para objetos que entrem em conato com a fruta. Por esses motivos, alguém que leve bananas na bolsa para consumir durante uma tarde de trabalho fatalmente será alvo de chacota.
Existem muitas variedades de banana. A variedade mais consumida é a banana "nanica" também chamada banana "caturra" - este nome sendo o mais apropriado visto que essa variedade é a de maior tamanho entre as várias espécies de banana. A banana "da terra" é de tamanho ligeiramente maior que a "caturra" e tem uma casca mais angulosa, arestada e escura. É muito apreciada em Antonina e cercanias, em sua modalidade cozida, acompanhando o prato típico da região - o "barreado" - e também na forma de "bala de banana". Já a banana "maçã" tem tamanho menor, forma mais arredondada e é mais indicada para problemas inestinais, pois tem efeito regulador das "tripas". A banana "prata" tem o mesmo tamanho da banana "maçã" mas possui a casca semelhante à banana "da terra", por ser também um pouco angulosa. A variedade mais valorizada no mercado é a banana "prata" que está sendo vendida hoje a R$ 2,69 o quilo - um absurdo quando se pensa na expressão "preço de banana" utilizada para designar "preço baixo" (ok, já parei com as aspas).
Outra banana muito conhecida do brasileiro é o tradicional também chamado "manguito" - o gesto obsceno que consiste em dobrar o braço com o punho fechado e segurar a dobra do cotovelo com a outra mão.
posted by Helena Cogumelo
23:05
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