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Sábado, Maio 15

Tradição
Olhando Marieta naqueles trajes, perfumada, deitada na cama, Agenor desatou a falar. Lembrou-a, com seu jeito articulado, paciente e demasiado explicativo, de que ela não era assim: ela era uma moça de família, de tradição, de propriedade, e não precisava fingir uma coisa que não era apenas porque ele havia estado na casa de tolerância no dia anterior. Envergonhada, Marieta se encolheu debaixo do cobertor, virou para o lado e tentou dormir. Agenor então vestiu seu tradicional pijama azul claro, calçou suas tradicionais meias de lã e deitou na cama ao lado dela.
Já um pouco arrependido, alisando as costas de Marieta, Agenor confidenciou:
- Desculpe Marieta. Mas, com você, só depois do casamento!
Marieta então chorou baixinho. Chorou e pensou na sua mazela. Chorou e pensou nas mazelas de todas as pessoas do mundo. Chorou e pensou nas crianças da Etiópia. Chorou e pensou em tantas coisas que esqueceu aquele motivo que a fez derramar a primeira lágrima.
Dormiu.
posted by Helena Cogumelo
19:26
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